A incerteza talvez seja a característica mais forte da crise decorrente da pandemia causada pela COVID-19. Diferente de outras crises, a origem da recessão econômica atual está em um vírus novo, que se espalhou rapidamente, tendo origem na província de Wuhan, na China, mas cujo poder de ataque ainda é uma incógnita. Isto é: não se trata de uma crise financeira, como a crise do subprime em 2008, mas de uma calamidade de saúde que afeta todos os setores da sociedade.


O fato é que o mundo parou e milhares de pessoas morreram ou se adoeceram gravemente e  outras dezenas de milhões perderam seus empregos e renda. Alguns se arriscam a levantar teses na defesa da flexibilização da quarentena mediante a implementação de uma política vertical, outros pensam que as medidas deveriam ser ainda mais restritivas, mas o consenso ainda não foi nem de longe atingido.


Com o devido respeito a todas as teses e argumentos, me parece que os remédios (se é que há algum) para atenuar os efeitos sociais e econômicos desta crise não estão claros e o dia de amanhã é uma incógnita absoluta.


Teremos uma recuperação em V (i.e., imediata e aguda), como em 2008, ou ou em U (i.e., lenta e gradual), como em 1929? Como os mercados irão reagir? Teremos mais ou menos globalização? A China sairá fortalecida? Como será a nova relação econômica entre os países? São perguntas imprevisíveis e longe de um cenário claro


Quais são as políticas econômicas ideais para manutenção do emprego? Até que ponto os governos devem atuar na distribuição de renda? Chegou o momento para a tributar mais fortemente os ricos? São outras previsões difíceis de se cravar.